Eu lembro como se fosse hoje. 1º de maio de 1994. Como de costume todo domingo, eu, minha mãe e meu padrasto acordávamos cedo e íamos pra casa dos meus avós rumo ao almoço. No caminho, Doca (meu padrasto) perguntou:
- E aí? Quem ganha a corrida hoje?
- Schumacher é claro – respondi.
- E o Senna? – interpelou minha mãe.
- Vai passar reto na primeira curva – profetizei.
Ao contrário de todos os outros dias, ficamos em silêncio o resto do caminho. Notas importantes: Eu fui acostumado a torcer pelo Nelson Piquet, com a saída dele da F-1. Tinha uma leve predileção do Alain Prost. Com a saída dele virei torcedor do Alemão. Minha opinião sempre foi que todos têm liberdade de escolher pra quem torcer independente da nacionalidade. Ninguém é menos patriota porque torce pra outro que não o Brasil. Por exemplo, eu realmente prefiro torcer pela Seleção Argentina de futebol e o faço mesmo em Copa do Mundo contra o Brasil. E minha mãe era fanática por Senna, daquelas mantinham um quadro dele na sala até pouco tempo atrás.
Voltando ao fatídico domingo. Tudo ocorreu normalmente. Sentamos todos os homens em frente da TV. As mulheres na mesa conversando. Antes da largada repeti minha previsão agora a estendendo ao meu tio, meu avô e meu primo. Veio a largada e houve uma batida envolvendo Lehto. E entrou o Safety Car, voltas em bandeira amarela. Fui beber água. Meu primo disse: - Taí. Teve a primeira volta e Senna não bateu. “Ainda não valeu” retruquei como uma criança de 11 anos.
Pronto. Bandeira verde e lá se vai uma Williams contra o muro. (Na minha lembrança foi na primeira volta com bandeira verde, mas já disseram que foi na segunda depois da relargada). Confesso que comemorei. E me arrependi logo depois quando vi que a coisa era séria.
Depois, veio a noticia. As mil reportagens, várias teorias de conspiração e teorias normais. Confesso também que fiquei emocionado com o enterro, aquela multidão toda. O Choro da minha mãe. E vejo que foi uma grande perda pro esporte.
Eu matei Ayrton Senna, o resto é história.
p.s. Continuo não gostando dele.
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